sexta-feira, 23 de julho de 2010

A Copa acabou. O jogo continua...

As Copas e a reinvenção do Brasil pelo governo atual andam juntas.


Em 1994, a comissão técnica comandada por Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, conquistou uma vitória brilhante em uma disputa que se arrastava há muitos anos contra o time Inflação e seu mascote: o dragão verde. A dupla Parreira e Zagallo obteve resultado semelhante.

Na França em 1998 foi mais complicado. Mesmo com Fernando Henrique Cardoso, agora na posição de técnico, a Rússia caiu perante o forte esquadrão cambial e o Brasil foi junto. Coincidentemente, o antigo auxiliar técnico Zagallo também tinha sido promovido a técnico e conseguiu nos colocar na final, quando caímos perante o time da casa.

Chegamos a 2002. Fernando Henrique Cardoso ainda liderava a comissão técnica, mas já se sabia que não poderia continuar. O ataque vinha exatamente daqueles que apostavam que seu substituto seria Luiz Inácio Lula da Silva e que este mudaria nosso esquema tático. Felipão ficou firme e trouxemos o caneco mais uma vez.

Em 2003 foi empossada a nova comissão técnica. Luiz Inácio Lula da Silva manteve o esquema tático. Porém, a comissão técnica armou o maior oba oba, renegou o passado, disse que tudo de bom tinha começado somente em 2002 e tudo de ruim que o Brasil tinha era herança das comissões técnicas anteriores. A prosperidade chinesa ajudou muito. Parecia que nosso time daria conta do recado. Com Parreira ocorreu o mesmo: passamos pelas eliminatórias e chegamos à Alemanha embaladíssimos ... pelo samba, pela festa ... e caímos nas quartas de final contra a França.

A festa falou mais alto e Luis Inácio Lula da Silva continuou na chefia da comissão técnica. Vários auxiliares tiveram que ser substituídos, mas a equipe foi até mesmo aumentada. Algumas crises vieram e foram. Chegamos finalmente a 2010 e à Africa do Sul. Apesar de Dunga ter pregado uma organização totalmente nova, o que vimos foi o mesmo resultado. A Holanda nos derrubou nas quartas de final.

Nossa sorte é que Dunga não faz seu sucessor. Nosso azar é que Luiz Inácio Lula da Silva tem uma chance concreta de fazer o seu. Em 2014 jogamos em casa. Não precisaremos passar por eliminatórias. Provavelmente daqui até lá tudo ainda parecerá correr bem.

Mas se continuarmos a jogar ao lado de Ahmadinejad, Chavez e outros comandantes em chefe que se importam demais com suas vaidades e sonhos de poder e de menos com seus países e povos, ficaremos no século vinte somente com muita sorte. Nosso destino pode ser um passado ainda mais distante.