Para quem não me conhece muito, eu sou um Leitor. Assim mesmo, com a primeira letra maiúscula. Eu gosto de ler; é um dos meus divertimentos preferidos.
Logo, eu precisava de um leitor de livros eletrônicos.
Ao pesquisar, tive logo uma primeira decisão a tomar: comprar um leitor nacional ou um importado. O preço logo do aparelho deixou os leitores nacionais em desvantagem. O aparelho do Gato Sabido (Cool-er) custa R$ 599,00 e o da Positivo (Alfa) custa R$ 899,00. O Kindle da Amazon custa US$ 139,00 (R$ 243,00) e o Nook da Barnes & Noble custa US$ 149,00 (R$ 260,00). Ou seja, o mais barato dentre os principais nacionais custa mais do que o dobro do preço do mais caro entre os importados considerados.
Mas, a grande prova do atraso tupiniquim vem no próximo quesito: o preço dos livros. Enquanto desde o lançamento, um ebook tem um preço de cerca de 50% da versão impressa, por aqui este desconto é tão irrisório quanto 6% (por exemplo, 1822 de Laurentino Gomes custa R$ 28,05 no Gato Sabido e R$ 29,90 para a versão impressa no Submarino).
Isto significa que um leitor eletrônico americano está pago com apenas 15 livros, enquanto um leitor eletrônico brasileiro precisa de 300 livros para se pagar. Para isto, é necessário ser um LEITOR, com todas as letras maiúsculas. Só mesmo um Mindlin, que ao longo de mais de 90 anos de vida formou uma coleção com cerca de 17.000 livros conseguiria ver o seu investimento em um leitor eletrônico nacional retornar em menos de um ano. No meu ritmo de 1 livro / semana, seriam necessários seis anos: tempo mais que suficiente para que a tecnologia evolua e justifique adquirir outro aparelho (tentando obviamente não perder o acervo já constituído).
Finalmente, decidi-me pelo Kindle e recebi-o na semana passada. Já li dois livros, estou lendo outros 3 e tenho mais 29 na fila. De todos estes, apenas um foi comprado. Todos os demais estão disponíveis "for free". E não estou falando de autores independentes. Lewis Carroll, Alexandre Dumas, Aristófanes e outros próceres da literatura mundial (todos mortos, é verdade!).
O livro que comprei acabou gerando outro exemplo do atraso local. A autora é a Noga Sklar, que resolveu formar uma editora especializada em livros eletrônicos. Tudo muito high-tech. Mas, em seu blog (www.noga.blog.br) ela conta algumas de suas desventuras com a burocracia nacional. Por exemplo: um dos quesitos do Ponto Frio para que ela pudesse vender seus livros eletrônicos na loja virtual é ter uma sede comercial em que o Ponto Frio possa fiscalizar seus estoques. Oops! Estoque de que? Bits e Bytes? Ou, quem sabe, de suco de cérebro?
E lá vamos nós: rumo ao século 20!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
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