quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ENEM ... de graça!

Os processos seletivos no Brasil são unidimensionais. Só o que interessa é o resultado de um exame. Faz-se a prova, forma-se uma fila dos graus e ... voilá! Temos uma nova fornada de excelentes profissionais em gestação. Certo? É óbvio que não.

Será que o aluno tem aptidão para aquele curso? Será que terá o comprometimento necessário para conclui-lo? Este aluno se adaptará à instituição, sua rotina, sua disciplina e sua exigência? O resultado é uma felicidade na entrada e evasão ao longo do curso. Ou, profissionais infelizes com sua escolha inicial, mas que estão presos na armadilha da impossibilidade de trocar de carreira no meio do curso.

Muito diferente do que acontece nas instituições de excelência do mundo. Para entrar em Harvard, no MIT, em Columbia, não basta um bom resultado no SAT (o ENEM deles). É claro que o resultado do SAT deve ser excepcional para que alguém mantenha o sonho de estudar em uma destas instituições. Mas é necessário preencher uma ficha, onde consta sua história de participação na comunidade e seus valores. Tudo isto será confirmado em entrevistas e são aceitos aqueles que têm uma grande chance de concluir o curso e se tornarem profissionais que irão honrar sua Alma Mater. E, mesmo aqueles que não concluem - Bill Gates e Steve Jobs são alguns exemplos - têm méritos notórios.

Além disto. O curso superior por lá é dividido em duas partes: o Minor e o Major. No Minor estudam-se as matérias básicas, que podem ser reaproveitadas na hora de escolher um Major (Law School, a Faculdade de Direito, por exemplo).

O que nos leva ao sistema brasileiro e ao ENEM.

Quando foi criado, o ENEM tinha o objetivo de avaliar o aprendizado dos alunos do Ensino Médio. Serviria para que o ensino fosse aperfeiçoado. As notas individuais não eram importantes.

Era sábio!

A partir de algum momento, algumas universidades passaram a usar o resultado do ENEM na seleção de seus alunos. A PUC-RIO, por exemplo, passou a direcionar algumas vagas para alunos que tivessem desempenho excepcional. Quem tirasse, acima de 8,0 nem precisava fazer vestibular. A prova passou a ser uma oportunidade a mais para quem demonstrasse conhecimento excepcional. Não chega a ser verdadeiramente multidimensional, mas foi um primeiro passo.

Outro detalhe interessante da PUC-RIO. Um aluno entra para o CTC (Centro Técnico Científico) e ao final do 2o ano decide se quer estudar Engenharia (e qual Engenharia), Matemática ou Física.

Foi sábio!

De repente, o caldo entornou. Os gênios do MEC da gestão iniciada em 2002, coerentes com o princípio do "Tudo o que nós fazemos é melhor", teve a brilhante ideia de SUBSTITUIR o vestibular pelo resultado do ENEM. É óbvio, que só podia dar errado. E deu. E continua dando. A partir da sábia decisão, nunca mais o ENEM conseguiu ser aplicado sem sobressaltos. Vazamentos, fraudes, liminares na justiça, choros ... e tudo o mais que demonstra o extraordinário erro do modelo.

Só dará certo quando tornarmos o Brasil um país multidimensional e o nosso Governo entender que existe vida (mais) inteligente do lado de fora de suas paredes.