A segunda parte do século 19 foi conhecida nos Estados Unidos como a "Gilded Age"; a época dos "Tycoons". Nomes como Rockefeller, Ford, Morgan e Carnegie entre muitos outros aproveitaram as condições institucionais, econômicas e tecnológicas para construir enormes fortunas, ao mesmo tempo em que lançaram as bases para o predomínio mundial da indústria americana.
O Brasil teve também o seu "Tycoon" no Barão de Mauá. Ele é definido como empresário, industrial, banqueiro e político. No auge - em 1867 - sua fortuna contabilizava 115 mil contos de réis, enquanto o orçamento do Império era de 97 mil contos de réis para o mesmo ano. Em valores atualizados, estima-se que o valor corresponderia a 60 bilhões de dólares. Diversamente dos seus correlatos do hemisfério norte, não deixou um legado na forma de empresas estabelecidas. Nem em dinheiro, diga-se de passagem.
Pulamos agora para o século 21. Com uma fortuna estimada em 40 bilhões de dólares, o homem mais rico do mundo (mesmo depois da crise, estouro de bolha, etc.) é Bill Gates. O brasileiro mais bem colocado na lista dos maiores bilionários do mundo é Eike Batista, com 7,5 bilhões de dólares.
É irrelevante comparar o tamanho das fortunas. Porém, é bastante importante comparar suas origens. Enquanto a fortuna de Gates é originada de produtos predominantemente imateriais (software), a fortuna de Batista vem toda de ramos de negócio ligados à exploração e movimentação de itens da infra-estrutura industrial: petróleo, mineração e logística são alguns exemplos.
O resultado americano não é acidental. Dentre os demais figurantes da lista encontramos Lawrence Ellison (software), Michael Bloomberg (informação), Larry Page (Google - como definir o que é o Google?) e assim por diante.
Nada desmerece o resultado de Batista, muito pelo contrário. Trabalhador e visionário são apenas alguns dos muitos adjetivos que podem ser aplicados a ele. Correm várias histórias bem fundadas de seu trabalho no sentido de gerar e preservar valor para aqueles que acreditam nele, inclusive usando recursos próprios para manter o valor das ações de suas empresas em poder de terceiros.
Eike está fazendo agora, o que já deveria ter sido feito no Brasil no século passado. Deveríamos ter passado por esta etapa há muito tempo.
Porém, mais uma vez estamos desperdiçando oportunidades. Neste momento, as condições não são favoráveis a empreendedores dos ramos que geraram os bilionários americanos do momento. E piores ainda para aqueles que no Brasil tentam desenvolver trabalhos nos ramos que gerarão os bilionários americanos das próximas décadas.
Nanotecnologia e bioengenharia são alguns destes ramos. Outros ramos podem já existir e ainda não ser possível de catalogar (mais uma vez, onde enquadrar o Google?). Somente iniciadas com a letra A, estão listadas na bolsa americana 25 companhias de biotecnologia. Com capital superior a 5 bilhões de dólares (mesmo depois da crise, estouro de bolha, etc.) são 8.
Precisamos passar a esta nova etapa.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário