Em meio a tantas iniciativas deslocadas no tempo, Foz do Iguaçu surge como algo diferente. Não que esteja fora do contexto geral do país, mas é interessante observar como alguns de seus destaques sintonizam-se perfeitamente com o período vigente em cada momento.
O Parque Nacional do Iguaçu, onde estão localizadas as Cataratas, foi estabelecido em 1939. Até chegar àquele momento, muita água correu (com o perdão do trocadilho). Foi proposto inicialmente pelo engenheiro André Rebouças em 1876 a partir do que ele viu no Parque Yellowstone nos EUA, então com quatro anos de idade. O parque e não o engenheiro. De sua criação até 1998, o parque foi tão bem cuidado quanto possível na administração pública brasileira.
Em 1999 foi constituída uma empresa (Cataratas do Iguaçu S/A) para administrar o parque, de acordo com uma concessão do IBAMA. Isto envolve um equilíbrio entre a obtenção de retorno econômico – necessário para que uma empresa sobreviva – através da exploração do potencial turístico e regras muito rígidas de preservação.
Uma visita ao parque é uma experiência única. A beleza natural está acima de qualquer discussão. Mas impressiona muito o estado de conservação, a limpeza e a qualidade dos serviços. Estes estão disponíveis para todos os gostos e capacidades: dos mais tranquilos aos mais aventureiros. Emociona!
Itaipu é outro exemplo. O acordo para sua construção foi assinado em 1973 pelos generais que presidiam o Brasil e o Paraguai à época. Ao rever as fotos do período de construção, fica claro que atualmente não se conseguiria aprovação ambiental para a obra. Independente de se discutir se esta seria a obra certa – cogitou-se a possibilidade de fazer seis usinas menores em diferentes pontos do rio Paraná – é certo que o Brasil do presente não pode prescindir do volume de energia produzido por Itaipu. Tudo muito século 20.
Com aquele objetivo cumprido, também é notável a atualidade das posturas e iniciativas atuais da Itaipu Binacional, empresa que administra a Usina. Projetos de empreendedorismo, projetos de inovação tecnológica, desenvolvimento sustentável de comunidades do entorno do lago e de preservação ambiental fazem parte do cardápio de ações da Empresa. Neste último, vale destacar o Canal da Piracema que é um canal de mais de um quilômetro, em parte sobre leito natural e em parte artificial, para que peixes possam contornar a barragem e chegar ao lago de Itaipu para desovar. Finalmente, até mesmo o turismo tem seu espaço. Existem visitas para todos os tipos de público: somente externa, com direito a conhecer o interior da Usina, visita técnico-científica e iluminação noturna da barragem são os mais importantes.
Que o exemplo seja seguido. Vamos fazer agora o que precisa ser feito, porém com uma atitude que incorpore tudo o que aprendemos nos últimos anos.
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