segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Carteira de Trabalho. Peça de museu.

Não me entendam mal. Não estou atacando o trabalho formal ou pregando a precarização da relação de trabalho. Pelo menos não nesta postagem.


Aqui estou me referindo especificamente àquela caderneta escolar que é necessária para que as pessoas em pleno Brasil do século 21, possam buscar um trabalho formal, remunerado, em uma relação patrão-empregado.

Poucas coisas são mais arcaicas que obrigar alguém a manter um histórico de carreira, que excede 30 anos na maioria dos casos, em um livreto que só pode ser preenchido à mão.

Ao ser contratado, ao demitir-se ou ser demitido e pelo menos uma vez por ano, lá vai o livreto para a área de pessoal da empresa, para que sejam anotadas as mudanças de cargo, salário, contribuição para sindicato, férias e outras observações "relevantes".

Parece cena de filme. Sala esfumaçada. Guardas soturnos. Um sujeito mal encarado sentado atrás de uma mesa é o responsável pela fumaça. O herói é trazido e para em frente à mesa. O mal encarado ordena em voz imperiosa: seus papéis. O herói tira do bolso a Carteira de Trabalho e a entrega ao burocrata. Dependendo do filme, a Carteira pode ser verdadeira ou falsa. No primeiro caso, trata-se de um inocente pressionado pelas rodas de um sistema injusto e cruel. No segundo caso, é um campeão da liberdade desafiando o mesmo sistema. A tensão é palpável. Que perversidade acontecerá com o pobre inocente? O herói conseguirá romper as redes que o aprisionam?

O filme pode se passar em qualquer lugar do planeta, mas uma coisa é certa. Trata-se do século 20.

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