domingo, 20 de setembro de 2009

Pré-sal. Discussão pré-histórica.

A descoberta de petróleo sob a camada de sal está sendo alvo de campanhas de todas as naturezas. Renascimento da idéia de monopólio estatal. Reafirmação de nacionalismo. Redistribuição da renda que ainda virá a ser gerada. Existem até mesmo defensores intransigentes da manutenção do modelo existente.

De todos os lados, o foco da discussão é o que fazer com esta hipotética montanha de dinheiro.

Uma vez que a riqueza seja efetivamente produzida e deixe de ser apenas teoria, o importante é que haja uma distribuição adequada de seus benefícios. Qualquer modelo estável e honesto é bom. É importante que todos tenham consciência de quais os retornos possíveis nos diferentes cenários e que as regras - claras - sejam respeitadas.

Estamos cercados de exemplos de movimentos na direção oposta e suas consequencias. O boliviano Evo Morales quis mudar tudo a pretexto do gás ser boliviano. Atualmente, o Brasil está queimando gás devido ao excesso de produção e a Bolívia não recebe mais sequer o que estava recebendo antes da posse de seu presidente.

O que vale a pena discutir é: como será o pós-óleo?

Recentemente, O Globo apresentou uma matéria comparando os cenários da Noruega e das Filipinas, países em que os campos amadureceram e hoje já não são capazes de produzir como antes. As Filipinas se afundaram vítimas de sua corruptocracia, deixaram de ser exportadores e hoje importam petróleo. A Noruega investiu no que devia: educação de seu povo. 25% da receita atual da Noruega ligada ao petróleo é resultado da exportação de serviços. 225 PhDs dedicam-se ao avanço tecnológico neste segmento.

Um dia o petróleo acabará. Da mesma forma que o carvão, que o urânio, que o ferro, que a bauxita e todas as outras "riquezas" que abundam por aqui.

A única verdadeira fonte inesgotável de riqueza é o intelecto. Investir em seu desenvolvimento é a verdadeira forma de acabar com a dependência. Com tudo o que se possa falar mal dos americanos, esta lição foi aprendida por eles há várias gerações. Sem aprofundar muito, basta ver o que se produz na "Ivy League", conjunto de oito universidades do noroeste dos EUA. São centenas de prêmios Nobel em todas as especialidades.

Os royalties gerados pela educação são muito maiores e duradouros que aqueles que possam vir a ser gerados pelo pré-sal, mesmo que as reservas sejam muito maiores que se apregoa.

Vamos parar de discutir o assunto com os olhos do passado e entremos de fato no século 21.

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